sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Lembranças .

Lembro de quando a minha mão que encaixava na tua, os meus olhos é que viam os teus de perto, O meu toque é que te arrepiava, o meu perfume que você sentia, o meu sorriso que você admirava, o meu carinho que você recebia, o meu abraço que você apertava, as minhas mãos que acariciavam o teu cabelo. Era no meu colo onde a tua cabeça repousava, era na minha boca que os teus lábios colavam. Era eu, era você. E agora o que é? Não é nada, não foi nada.


Não dá pra se conformar em perder alguém não é mesmo? É triste ver como o teu amor não adiantou em nada, que aquilo tudo eram só momentos. Mas pra você foram os melhores momentos. E agora, você se olha no espelho e diz "eu já estive com ele e agora já passou" e de repente você sente uma vontade enorme de abraçar aquele alguém, e se vê no vazio, o que só te resta a fazer é abraçar os seus próprios braços, fechar os olhos e imaginar ele ali, como era antes. Aí é quando jorram aquelas lembranças, e junto com elas, tuas lágrimas que não resistem a tanto sentimento, sofrimento, saudades. E toda aquela angústia que tu sentia antes por não ter, se transforma em angústia por ter tido e ter perdido.
Eu sei bem como é isso tudo, eu sei bem o que eu já passei, o quanto fui ignorada, eu sei. Isso é só um detalhe de tudo que eu queria dizer, mas não mudará absolutamente nada.
E eu continuo tentando seguir em frente.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



Dizem que  gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde.Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.

(Caio Fernando Abreu)